"Desenhar - diz Folon - é andar pelas ruas e olhar a vida". Imbuida desta verdade, Yolande Tinguely quer homenagear a cidade de São Paulo que há quase meio século a acolheu, e deixar para os pósteros o que restou desta "Paulicéia desvairada".
O seu desenho é fiel e seu traço sublime. Suas cores pastéis nos transportam a um passado que gostaríamos ter vivido. E como resultado consegue uma relação simples e imediata entre o olho e a mão do artista através a mediação da coisa vista ou imaginada.
É surpreendente observar que suas imagens, no seu movimento ambíguo, na sua fantástica transferência além da exata medida do tempo, escalam e descem todos os degraus da história, de épocas e de estilos.
As coisas que marcam a imaginação do artista se amoldam entre si e se põem a viver sobre o papel. O seu mundo não é sem esperança e a delicada gentileza do gesto e da expressão reencontram o seu caminho. Fixando as antigas moradas, os sitos históricos, as ruas de fim e de início de século, os arranha-céus constratando com os velhos telhados paulistas, Yolande Tinguely pratica um verdadeiro gesto de amor à São Paulo.
(Emanuel Von Lauenstein Massarani)
Nanquim

Bahia 1964 - Yolande Tinguely
A tinta nanquim é um material corante (tinta) preta, que veio originalmente da China, preparada com negro-de-fumo (pó de sapato) coloidal e empregada especialmente para desenhos e aquarelas.
Desenvolvida pelos chineses há mais de dois mil anos, é constituída de nanopartículas de carvão suspensas em uma solução aquosa. Embora normalmente nanopartículas dissolvidas em um líquido se agreguem, formando micro e macro partículas que tendem a se depositar, se separando do líquido, os chineses antigos descobriram que era possível estabilizar a tinta nanquim pela mistura de um cola (goma arábica) na solução com pó de carvão e água. Hoje é possível entender que, ao se ligarem à superfície das nanopartículas de carvão, as moléculas de cola impedem sua agregação e, portanto, sua separação do seio do líquido. |